A Barata Mais Cara Do Mundo

Atualizado: 6 de set. de 2020


Observei uma barata: grande e cascuda. Observava o particular nojo que o inseto me gera. Sempre achei pior do que ver uma barata, é o momento em que a criatura desaparece.

Cristo ! ter ouvido que as baratas sobreviveriam em caso de uma extinção nuclear, sinceramente agradeci por saber que eu com total certeza estaria morta.

Todas as vezes que o garçom chegava a minha mesa trazendo as bandejas com cervejas que meus colegas de trabalho consumiam freneticamente e postando seus copos cheios insistentemente no Instagram, eu observava, com meu copo intocado na mesa remoendo uma angústia insuportável como se a asquerosa barata pudesse pular monstruosamente e atacar o garçom vitimizado pela pressa de um restaurante caro e lotado, com sua barata mascote.

O garçom não parava de passar no seu vai e vem pela barata insolente, pensei com o passar da noite e percebendo que aquele garçom estava trabalhando sozinho, isso era humilhante !!

Meu coração acelerou, me senti empalidecer com o movimento do inseto, minhas mãos suavam e não conseguia esconder minhas mãos trêmulas. Nesse momento, eu levei minha mente para minha casa, confortável, sem baratas, Clair de Lune dando o som da minha tranquilidade, mas um pensamento não saía da minha mente "- Será que a casa do garçom tinha baratas ?".

Tentei olhar para meus colegas e totalmente bêbado meu chefe digitava freneticamente no celular, ao lado os outros 3 colegas riam, falando do vestido da mulher do presidente. Neste momento, fechei os olhos e peguei meu cigarro, sem perceber corri para fora do bar, não sentia o chão naquele momento, apenas me senti materializar ao ar livre da noite.

O ar tinha cheiro de chuva, depois de chuva com meu cigarro. Aquela falsa confraternização não acabaria tão cedo, a barata não iria embora, o garçom continuaria em perigo iminente, Clair de Lune não tocaria e minha cama estava muito longe naquele momento. Soube que estava chorando quando uma mão tocou meu braço:

- Não tenho nada com isso, eu só te vi sair correndo, seus amigos estão um pouco.. enfim..

Sem saber como abordar o garçom finalizou com uma clássica gentileza clichê:

- Você precisa de um táxi ? ou quer que eu chame alguém ?

Olhamos desconcertados um para o outro e eu balbuciei:

- Eu preciso que você mate aquela barata urgentemente !

Dito isso, a confusão surgiu no rosto do homem e ele me respondeu:

- Não posso - Afirmou ele e sorriu - se eu matar a barata todos os bêbados vão ver e apenas serei demitido, pois se um cliente gritar por causa da barata o proprietário precisará se explicar.

Me senti com o corpo coberto de baratas, depois da precisa explicação do garçom:

- Você tem toda razão, me desculpa.

Assim, eu consegui calar a minha mente e aceitar que o garçom chamasse um táxi. Entrei junto com o garçom para pegar minha bolsa e saí sem me despedir de ninguém, apenas olhei a barata vencedora.


Autora: Joici Rodrigues.



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